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sábado, 29 de outubro de 2011

Kayapós e sua cultura.



Recentemente estive com a missionária Eunice Ester Bastos Costa da Silva que desenvolve um trabalho belíssimo entre os índio kayapós, prestando a esse povo serviços de assistência social, enfermagem e como professora que, em respeito a cultura índigena, aprendeu o Jê( lingua materna dos kayapós) para alfabetizá-los.

Entrevista:

Eu: - Fale um pouco do cotidiano dos índios? E o papel do homem e da mulher nesse contexto?

Eunice: - São cerca de 8.500 habitantes, distribuídos em quase 30 aldeias entre o Sul do Pará e norte do Mato Grosso, vivem da agricultura, caça e pesca, sempre em busca da alimentação onde as mulheres ficam nas lavouras e os homens na caça. Fazem artesanato da seguinte forma; os homens trabalham com palha e cestaria e as mulheres com colares e pedrarias como miçangas, geralmente para consumo próprio da aldeia nas festas ou comercializam em eventos, viagens para Brasília e no dia do índio em São Félix do Xingú. Existem muitos mitos de que os homens não trabalham, mas a função deles é de proteção e vigiar a aldeia enquanto os outros vão buscar comida. Eles se revezam na busca de comida, homens numa tarefa e mulheres na outra.

Eu: - Quais são e quantos são os troncos lingüísticos entre os indígenas?

Eunice: - São cinco: jê (língua dos kayapós com que eu trabalho), tupi, pano, yanomai e aruak.

Eu:- Assim como no Brasil existe uma diversidade cultural: brancos, negros e outros... Dentro das aldeias existe diversidade indígena?

Eunice: - No Brasil temos essa infinidade onde cada tribo com sua cultura (pode haver semelhanças de tribo para tribo)mas existem diferenças nas festas, na sua cultura, alimentação (Existe uma diferença de tribo para aldeia , pois tribo é o povo a nação; e aldeia são as “vilas”, um conjunto de aldeias forma uma tribo) de acordo com o contato com o homem branco, pois existem tribos que chamamos tribos urbanas, outras de contato mais difícil e outras tribos isoladas. O grau de contato com o homem branco influencia na cultura, pois a cultura não é estática ela se molda e sofre influências.

Eu: - Como é o processo escolar nas tribos?

Eunice: - A legislação diz que eles têm direito a educação diferenciada, a secretaria de educação envia professores não indígenas para alfabetizar em português (aqui surge outro tabu ”índio não aprende”) e as crianças não aprendem, mas no contrário quando alfabetizadas na língua materna a transição para o português é mais fácil. Entre os kayapós, poucas aldeias têm professores indígenas, na maioria das aldeias valorizam muito os kayapós são muito apegados as suas tradições e origens.

Eu: - fale um pouco de como são suas crenças?

Eunice: - Os kayapós são animistas, antes da religião chegar até eles, acreditavam que haviam espíritos pairando sobre as aldeias, florestas e sobre nós e seguem rituais e sacrifícios para afastar esses espíritos que eles acreditam que causam doenças e qualquer mal físico, que para eles é conseqüência de problema espiritual e procuram meios de manter o equilíbrio espiritual através de oferendas e sacrifícios como matar animais. Essa religiosidade deles causa medo muito grande por ataques desses espíritos, com o cristianismo muitos deles tem aceitado que devido à esperança em Jesus cristo é maior que esses espíritos.













Morte da onça em defesa da tribo.





As fotos dos indígenas não podem ser usadas para fins comerciais, visto que as imagens de nossos indígenas fazem parte do patrimônio histórico brasileiro e todos as fotos são do acervo pessoal de Eunice Ester B. Costa da Silva.






























































Todos os direitos autorais das imagens são atribuídos a fotógrafa Eunice Ester B. Costa da silva e, por lei, não podem ser comercializados.

3 comentários:

folha verde news disse...

Bonito seu trabalho e deste blog, visiste o meu em www.folhaverdenews.com Abraços e paz na luta, Jucileine Pereira.

Dulce Coelho disse...

Muito lindo trabalho.
Eu gosto muito dos índios.
Já estive perto de alguns aqui em Sinop-MT na UNEMAT (Universidade do Estado de Mato Grosso.

Parabéns

alison parafuso disse...

Qual é a religião deles

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